terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Porque as vezes apetece...

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à
quantidade de "foda-se!" que ela diz.
Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?
O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma
pessoa melhor.
Reorganiza as coisas. Liberta-me.
"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"
"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,
foda-se!"
O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos
extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário
de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos
mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua
língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que
vingará plenamente um dia.
"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a
ideia de muita quantidade que "comó caralho"?
"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão
matemática.

A Via Láctea tem estrelas comó caralho!
O Sol está quente comó caralho!
O universo é antigo comó caralho!
Eu gosto do meu clube comó caralho!
O gajo é parvo comó caralho!
Entendes?

No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a
mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".
Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem
nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.
O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.
Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades
de maior interesse na tua vida.
Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro
para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.
Solta logo um definitivo:
"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".
O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro
Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,
e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu
correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,
sílaba por sílaba.
Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito
assim, põe-te outra vez nos eixos.
Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se
reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um
merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.
E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua
maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?
Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus
quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de
seu interlocutor e solta:
"Chega! Vai levar no olho do cu!"?

Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.
Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar
firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de
maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a
sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".
Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para
uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de
ameaçadora complicação?
Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor
num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo
assim como quando estás a sem documentos do carro, sem
carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a
mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"
Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada
funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a
saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os
empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e
em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a
desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”
Então:
Liberdade,
Igualdade,
Fraternidade
e
foda-se!!!
Mas não desespere:
Este país … ainda vai ser “um país do caralho!”
Atente no que lhe digo!

Foda-se, por Millôr Fernandes (Adaptado)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ascensão

Cemitério de Figueiró dos Vinhos 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Buscar...

"Tudo que busco é um gesto de carinho uma mão amiga ou um abraço de conforto infelizmente a muito não sinto esses gestos, sinto que [passo pela vida despercebida e que mesmo tentando ser notada sou transparente... Quem sabe ao ler essas palavras alguém note que eu também preciso de atenção. e que em meio a minhas angustias e dores eu não me importo em receber um abraço e uma demonstração de conforto Uma única vez na vida gostaria de sentir que sou tão importante para aqueles que amo quanto eles são pra mim!"

Última Morada

O que chamais de morrer
é acabar de morrer
E o que chamais nascer
é começar e morrer
E o que chamais viver
É morrer vivendo.


Francisco Gómez de Quevedo

domingo, 5 de dezembro de 2010

Afinal o que é que muda?


Como se já não bastassem as inúmeras empresas em Portugal que fogem aos impostos através de “buracos” no sistema legal, procedendo à criaçâo de holdings e empresas no estrangeiro como é o exemplo da PT, que este ano realizou o maior negócio do ano na europa e não pagará os 570 milhoes de dividendos ao Estado, como a banca, tendo como exemplos mais gritantes o BPI que poupou em impostos relativamente a 2009 29,5 milhões de euros apesar de ter tido lucros na ordem dos 10,8%, o BCP 27,2 milhões de euros apesar do crescimento de 22%, o BES 23,4 milhões apesar de crescer 12,4%, casos como a Galp em que a “Amorim Energia” paga 0€ de impostos sobre os dividendos, ou o caso do Montepio que apesar da compra do Finibanco ficou isento de IRC, sendo que também o Finibanco ficou abrangido pela mesma isenção, a juntar a isso o Finibanco ainda vai ficar isento relativamente aos impostos pagos entre 2001 e 2007 e cujo o valor ascende a 25,4 milhões de euros. Como se tudo isto não bastasse a nova excepção aos cortes salariais vai permitir aos altos quadros continuar a acumular as suas pensões e salários elevadissimos sendo que as proibições só terão efeito para futuros gestores e não para os actuais dirigentes em funções.
Num País onde o ordenado mínimo não chega sequer aos 500€ mensais, onde já se fala da possível congelação do prometido aumento para 2011, onde a procura de ajuda a instituições de solidariedade atinge valores históricos e cujas previsões indicam um aumento continuado para o ano que se avizinha, um País onde ajudas essências são retiradas a famílias em necessidade em nome da retoma económica e do bem comum, onde, como sempre, a base mais profunda da hierarquia faz todos os sacrifícios em nome das camadas superiores que enriquecem desmesuradamente graças a artifícios legais que os favorecem, era preciso um Governo com coragem, que se diz convicto na sua luta contra as desigualdades e mais agora contra a profunda crise que nos abala pegar definitivamente nas rédeas deste País e se preciso for obrigar, ainda que de forma ditaturial, a crescente canalhada que cresce a custa do País, a pagar como todos os outros. O Governo deve rever as leis fiscais que permitem a esses “empresários” ficar impunes no que ao pagamento de impostos diz respeito e limpar definitivamente as fileiras de Boys que constantemente se contratam, a máquina do Estado deveria ser uma empresa com uma organização semelhante a outra qualquer, os seus funcionários e das empresas ligadas a si só deveriam ser substituídos mediante as mesmas condições que assistem a qualquer trabalhador dum privado e não de cada vez que o Governo muda. As acomulações de reformas são uma abominação e uma falta de respeito para quem trabalha mais de 6 décadas e no fim de dar o seu contributo para o desenvolvimento do País se veja obrigado a governar o resto da sua vida, em muitos casos, com pouco mais de 200€. Portugal não é um País livre, tivemos uma revolução de faz de conta, onde só a classe política lucrou.

O Silêncio

O silêncio no olhar de uma criança,
o perfume na simplicidade da flor,
o conforto no calor do abraço,
o recado no valor do sorriso,
o alívio no frescor da brisa,
a segurança na palavra amiga;
tudo me leva a crer: sou mesmo um pobre

Frãn

As pessoas entre os 15 e os 30 anos

As pessoas entre os 15 e os 30 anos parecem não se interessar por nada. É uma geração que parece não ter sentimentos dinâmicos. É raro encontrarmos nela o sentido do patético, da excitação. E tenho pena.

Falta paixão cerebral. Não faltam emoções nem sentido de decisão. Mas o protesto de hoje é dirigido pelo cepticismo. Já não há rebeldes que queiram defender a salvação do mundo. O entusiasmo de antigamente, as acções contra a guerra do Vietname, contra o imperialismo e o capitalismo, era empolgante. Os estudantes de hoje já não se deixam levar. O sistema actual está montado na apatia politica.

Autor Desconhecido

sábado, 4 de dezembro de 2010

O meu momento


Here is a little song I wrote
You might want to sing it note for note
Don't worry be happy
In every life we have some trouble
When you worry you make it double
Don't worry, be happy......

Ain't got no place to lay your head
Somebody came and took your bed
Don't worry, be happy
The land lord say your rent is late
He may have to litigate
Don't worry, be happy
Look at me I am happy
Don't worry, be happy
Here I give you my phone number
When you worry call me
I make you happy
Don't worry, be happy
Ain't got no cash, ain't got no style
Ain't got not girl to make you smile
But don't worry be happy
Cause when you worry
Your face will frown
And that will bring everybody down
So don't worry, be happy (now).....

There is this little song I wrote
I hope you learn it note for note
Like good little children
Don't worry, be happy
Listen to what I say
In your life expect some trouble
But when you worry
You make it double
Don't worry, be happy......
Don't worry don't do it, be happy
Put a smile on your face
Don't bring everybody down like this
Don't worry, it will soon past
Whatever it is
Don't worry, be happy

Bobby McFerrin

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lamego 2010

Balada de Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


Augusto Gil

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aqueles mails que as vezes nos deixam parvos

- Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing.

- Um jovem de 18 anos recebe 200 € do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € depois de toda uma vida de trabalho.

- Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.

- O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

- Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

- Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.

- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo o WC da Pizza Hut fica a 100 metros e não tem local para lavar mãos.

- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

- Nas prisões é distribuído gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!

- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar chumbas o ano, o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.

- Um jovem de 14 mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!

- Uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme podem. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa sela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

- Militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa de território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.

- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas às finanças a tempo e horas passado um dia já estás a pagar juros.

- Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!

- Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosse drogado, não pagava nada!

Não há dinheiro?

Estas informações que vou enumerar de seguida são transcritas de um email enviado por um americano a um seu amigo português:

como podemos ser um País pobre se pagamos mais do dobro no preço dos combustíveis que por exemplo se paga nos Estados Unidos?

como é possivel pagarmos mais 80% em tarifas de electricidade e tarifas de telemovel e mesmo assim não haver dinheiro?

pagamos o triplo em comissoes bancárias, e cartas de crédito e um carro que nos states custa 12000 euros nos pagamos 20000 por ele e damos 8000 ao estado.

no Estados Unidos tendo em conta a precariedade que se vive são apenas cobrados 6% de iva sendo que desses 6%, 4% são federais e 2% são municipais, quando em portugal se paga 23% de iva e ainda os impostos municipais.

Ainda temos “ impostos de luxo” como são os impostos
na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com
que esses produtos cheguem em certos casos até aos 300 % do valor
original..., e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários,
impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das
empresas, de circulação automóvel...

Os nossos bancos privados abrem falência e não é nada connosco, é preferivel inaugurar casinos e injectar dinheiros públicos no BPP.

Um País que cobra um imposto adiantado sobre ganhos futuros e bens pessoais mediante retenções tem de nadar em abundância por considerar que os negócios da nação e de todos os
seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque
fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de
pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas
ligadas ao Estado.

Em Portugal pagamos impostos do
lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aqui pagamos
segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto que
nos states se conformam com a segurança pública.

Em Portugal os pais enviam os filhos para colégios privados, enquanto nos
EUA as escolas públicas emprestam os livros aos seus filhos prevendo
que não os podem comprar.

Coclusão do senhor: "Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro".

sábado, 9 de outubro de 2010

Parabéns Lennon

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will live as one

John Lennon

Fénix

Raise from the ashes...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Insomniac

Ando desde há muito tempo a tentar perceber o porque de tantas e tantas noites mal dormidas, ou em certas fases como a do preciso momento em que escrevo este post e me encontro já sem dormir há mais de 35 horas sentindo-me como se tivesse dormido toda a noite anterior. Penso no passado e nos problemas, no presente e nos problemas, mas curiosamente não sinto que seja essa a resposta, ou então estou já tão habituado a este sentimento que ludibrio a mim próprio com grande facilidade. Invejo aqueles que se limitam a fechar os olhos e adormecem com uma tal leveza, que é como se nada no mundo lhes cause impacto,lhes perturbe o espírito, adormecendo duma forma tal, que quase parece que recorreram ao clicar dum botão. Devo ter o meu comando central avariado mas ainda assim vou ver se passo a standby mode.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poema Em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro De Campos

“Independente Carente”

Nos versos de meus poemas encontro conforto,
O alento para minha alma solitária.
Independente, mas carente de outros,
Forte, mas frágil aos acontecimentos.

Sorte a minha ser assim,
Azar dos outros não me entenderem.
Essa solidão dolorosa, mas necessária,
Esse amor desejado, mas ausente.

Não cabe a mim escolher,
Ou minha inércia o deixou a cabo do destino,
Pois não sou mais o mesmo,
Não vivo como vivia antes,
Não sinto mais o que sentia antes.

O passado ainda me assombra,
O presente me traz pesadelos
E o futuro ainda me engana.
Meu eu pede socorro
E sou eu o único que pode ouvi-lo
Mas não sei o que posso fazer para ajudá-lo.

Nem eu mesmo me entendo mais.
Olho no espelho e não sei quem está no reflexo,
Se eu, ou mais um personagem criado de mim mesmo.
Onde o meu eu verdadeiro se perdeu?
Quando eu deixei de acreditar?

O tempo não me ensina mais,
Pois eu deixei o lugar de aluno e me assentei ao seu lado.
Não é tão mágico como eu pensei que seria
É solitário ser diferente, mas ser igual é pouco pra mim.

Escolhi entender, mas não sou entendido.
Vi o que tanto desejava e descobri o que eu queria
E agora não posso voltar atrás.
Sou homem sim!
Sou humano como os outros!
Mas sou diferente!
Por que diferente dos outros:
Eu SEI!

Bruno souza

Uma palavra...

"A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio."

Martin Luther King

sábado, 2 de outubro de 2010

Morfina

Como é bela a deusa do meu céu
Actriz de ralé
No meu mausoléu de ninfas da maré
Faz dança do véu
Com um sururu de se tirar o chapéu
A feliz garça com o seu girar
Transmuta por dom
O meu lupanar em casa de bom tom
Angélico altar
Onde o varonil tem gosto em capitular

Bem vindos ao meu bazar
Propõe chás do Sião, pepitas do Brasil, joias da Pérsia

Morfina
Não perdes nada em entrar
Vem ver a actuação, o exótico pernil, a doce inércia

A morfina

É tão quente a raça do seu ser
Seu jeito fatal
De dar a entrever o gozo sensual
O mole prazer
Que a carne retêm depois de esmorecer
E sem mais me deixa suspirar
Na maior nudez

Que venha a rodar a ter ser minha vez
Os braços no ar
Que me faça vir na graça do seu picar

Bem vindos ao meu bazar
Propõe chás do Sião, pepitas do Brasil, joias da Pérsia

Morfina
Não perdes nada em entrar
Vem ver a actuação, o exótico pernil, a doce inércia

A morfina

Bem vindos ao meu bazar
Propõe chás do Sião, pepitas do Brasil, joias da Pérsia

Morfina
Não perdes nada em entrar
Vem ver a actuação, o exótico pernil, a doce inércia

Morfina
Não perdes nada em entrar
Vem ver a actuação, o exótico pernil, a doce inércia

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Incerteza

“Quem sou eu?”,” Para onde vou?”, “Existe vida depois da morte?”. Dúvidas existenciais e intemporais na nossa sociedade, no nosso mundo, nas nossas cabeças… na minha cabeça. Faço frequentemente as duas primeiras perguntas a mim mesmo, esperando após longos períodos de silêncio obter uma epifania, as respostas que tanto procuro… mas nada. Dói-me esta sensação do nada dentro de mim, absorvo todas as sensações todos os momentos que as pessoas me dão e tudo desaparece dentro de mim como um buraco negro que absorve toda a energia e tudo aniquila. E sinto-me só, sem forças para lutar. Lutar pelo quê? Lutar para quê? Lutar para atingir um sentimento de auto-realização? Sentimo-nos realizados quando temos alguém com quem partilhar as vitórias, alguém que puxe por nós e nos faça sentir queridos e capazes de fazer tudo. Eu não sinto nada disso. O que eu sinto é que as vezes, preferia não sentir absolutamente nada. Não ter sentimentos, olhar para tudo com total indiferença e seguir como se não fosse nada comigo, pois agora sinto, dou atenção, aconselho, sou amigo, rio, choro, amo, procuro a felicidade… e não encontro nada. Já nem o pensar que o dia de amanhã será melhor que o de hoje me traz alento, há muito tempo que para mim os dias são quase sempre idênticos, salvo raras excepções, em que pequenos momentos trazem alguma luz e força, mas ainda assim não me sinto uma pessoa feliz e custa-me sempre dar resposta a algum pedido de conselho quando eu próprio não me sei ajudar a mim mesmo. Hoje fui a um sítio aonde já não ia há algum tempo e encontrei uma pessoa que há muito não via. Cumprimentou-me e em tom de brincadeira perguntou, por estar ali naquele instante, “andas perdido?”, “sim, ando”, respondi a sorrir, apercebendo-me da certeza da minha resposta.

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Desalento

Não tenho jeito p'ra gerir o património
Nem sou pessoa p'ra aderir ao matrimónio
Tenho uma voz que é mediana e tenho sonhos
Mas sem maneira de atingir dias risonhos
Não tenho os pés no chão mas tenho fantasias
Coisas concretas não conheço e tenho dias
Em que a maneira de acordar é com lamentos
Pois se adormeço com um vazio nos sentimentos

Serei o corpo que finda
Sem ter tido ainda o tempo para ouvir
Alguém que me diga ao certo
Se estará por perto na hora de adormecer

Não tive a sorte de ter tido algum juízo
Tive o azar de ser fadado ao prejuízo
Andei perdido e confiei nas impressões
Mas sei agora o que é errar nas previsões
Fintei por vezes o destino que era doce
Olhei o umbigo e imaginei algo que fosse
Uma grandeza p'ra mim feita por medida
Mas a esperança um dia caiu perdida

Serei o corpo que finda
Sem ter tido ainda o tempo para ouvir
Alguém que me diga ao certo
Se estará por perto na hora de adormecer

Falhei nas contas que fiz p'ra posteridade
Pois usei números que apurei na puberdade
Não criei lendas mas menti e por castigo
Já poucos crêem nas verdades que hoje digo
Não tenho pressa de chegar a sítio algum
Olho o futuro e não vejo lugar nenhum
Onde as certezas que aprendi tenham um preço
E as coisas certas que eu vivi lá no começo
Tenham valor


Feromona

domingo, 1 de agosto de 2010

Os incómodos duma camisinha...

Como se não bastassem já aqueles palermas que dizem que usando a dita a coisa não sabe ao mesmo, segundo uma agencia noticiosa, nos Estados Unidos, mais concretamente em massachussets, um erro na cadeia de distribuição da Macdonalds fez com que os cinco mil preservativos originalmente destinados a distribuição numa escola de Province Town, fossem embalados e distribuídos pelos vários restaurantes da referida cadeia "alimentar" imagine-se, em happy meals!!!
A explicação oficial é de que os funcionários responsáveis pelo embalamento e distribuição tinham fraco domínio da língua!!!
A nível pessoal penso cá para mim que com o nível de informação que existe até uma criançinha sabe o que é e para o que serve uma "camisinha"!
Ora, ou isto é uma grande visão e preocupaçao relativamente ao futuro das crianças norte-americanas e á sua saúde e protecção sexual, ou estes senhores não sabem a diferença entre um balão e as ditas borrachinhas explicando assim a troca pelos habituais brinquedos nas caixinhas de happy meal!
Acrescento ainda que, num espírito de cooperação internacional, fosse facultada a cedência temporária duma equipa da ASAE por parte do nosso País aos States para que os seus agentes da FDA (Food and Drug Association) pudessem aprender alguma coisita...
No mesmo campo (das camisinhas, óbvio), outra notícia alarmante! Foi descoberto que os elásticos para cabelo, os tão coloridos acessórios auxiliares essências para ajudar a prender os longos e belos cabelos duma qualquer cidadã (ou cidadão!) do nosso mundo, os quais são maioritariamente comprados em lojas chinesas, são fabricados à base de preservativos.. usados e nao esterelisados!
Penso naquelas senhoras que antes de prender o cabelo seguram os elásticos na boca...sem saber o que estão a fazer.
Uma vez que a reciclagem dos preservativos não é permitida o passo normal é proceder-se à sua destruição, mas como vem sendo hábito em tudo o que é salutar e sanitariamente obrigatório a china fica sempre de fora e neste caso produz os ditos elásticos e exporta-os ilegalmente além fronteiras sendo que um dos visados é certamente o nosso país...
Se existisse uma avaliação e inspecção rigorosas, responsávelmente isentas de interesses económicos de todas as lojas chinesas, tendo em conta os cada vez mais alarmantes anuncios das ilegalidades existentes nos seus produtos, estou certo de que todas elas veriam as suas portas fechadas!Não pretendo ser discriminatório mas penso que os sucessivos problemas são por demais evidentes.

domingo, 25 de julho de 2010

Função do Prazer

Só viver em paz
e nunca sequer compreender
do que se é capaz
p'ra nunca ter nada a perder
dispensar noções
das coisas que importa varrer
das recordações


ser feliz num dia qualquer
limpar todo o excesso e sentir
deixar de desejar ou crer
num ser maior do que eu
viver num mundo só meu
sem regras nem metas nem portas por abrir


destruir o amor
e tudo o que em volta prender
preferir a dor
a deixar coisas por fazer
só por experimentar
viver em função do prazer
e nunca parar p'ra pensar


ser feliz num dia qualquer
limpar todo o excesso e sentir
deixar de desejar ou crer
num ser maior do que eu
viver num mundo só meu
sem regras nem metas nem portas por abrir

Feromona

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Custa tanto saber o que se sente quando reparamos

Custa tanto saber o que se sente quando reparamos em nós!... Mesmo viver sabe a custar tanto quando se dá por isso... Falai, portanto, sem repardes que existis...
...

Quem pudesse gritar para despertarmos! Estou a ouvir-me gritar dentro de mim, mas já não sei o caminho da minha vontade para a minha garganta.


Fernando Pessoa

domingo, 4 de julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

E por falar em...

Naufrágios, questiono-me quase numa base semanal quando é que o nosso 1º ministro salta fora do barco...mais uma polémica...acho que nem vale a pena servir-me de ponto de exclamação ou haverá ainda quem se admire?
Desta feita o caso é o seguinte: Rui Dias, arguido num processo de extorsão, sequestro e associação criminosa, entre outras acusações, diz ter em seu poder documentos que provam o desvio de cerca de 383 milhões de euros por parte de familiares de José Sócrates, documentos os quais, serão enviados para a Procuradoria Geral da República pelo Tribunal de Loures.
Pessoalmente considero tempo perdido, pois deverão ter o mesmo destino das escutas, o que não me admira pois nesta altura de crise há muita gentinha a precisar de graveto e 383 milhões ainda enchem muito bolso!
No fim de contas quem não ganha nada com isto sou eu que, não ocupo nenhum cargo em lugares de destaque para a defesa do 1º e respectivos familiares, nem sou familiar dele... o que vale é que é fim do mês...

Naufrágio...

Podia começar por enumerar os inúmeros erros tácticos do "stôr" Queiróz, as escolhas para o onze inicial, as substituições no mínimo estranhas em alguns casos, mas não só tudo isso já foi amplamente analisado, como também não pretendo fazer deste meu espaço um magazine desportivo.
Peço desculpa a todos os meus amigos, aqueles com grandes esperanças, derivado talvez ao facto de serem sportinguistas (nada contra, é só mesmo devido á cor verde), ou benfiquistas ainda com elevada euforia fruto da conquista deste nosso último troféu...! mas eu tinha razão ao dizer que não iríamos muito longe neste mundial.
Os navegadores perderam na batalha naval contra os espanhois e foram afundados por um torpedeiro chamado villa...pode ser que assim se dê uso aqueles tão polémicos submarinos...

domingo, 13 de junho de 2010

I´m Designer





My generation's for sale,
Beats a steady job.
How much have you got?
My generation don't trust no one,
Its hard to blame,
Not even ourselves.
The thing that's real for us is: fortune and fame,
All the rest seems like work.
Its just like Diamonds
In shit.

I'm high class I'm a whore,
Actually both,
Basically I'm a pro,
We've all got our own style
(of baggage),
Why hump it yourself,
You've made me an offer that I can refuse,
(course either way I get screwed)
Counter proposal:
I go home & Jerk off.

It's truly a lie. I'm counterfeit myself,
It's truly a lie. I'm counterfeit myself,

You don't own, you don't own, you don't own,
You don't own what none can buy,
You don't own, neither do I.

High and mighty you say selling out is a sham,
Is that the name of your book?
Push a silver spoon in your ass,
No more holding us down,
(dog. down mutt. Nice mutt)
You're insulted, You can't be bought or sold.
Translation: offer too low.
You don't know what you're worth,
(It isn't much.)
My piano is for sale.
How many times must I sell myself before my pieces are gone?
I'm one of a kind,
I'm designer.

Never again will I repeat myself,
Enough is never enough,
Never again will I repeat myself.

It used to be the plan was: screwing the man
Now its have sex with a man,
(After he buys you ".com" for sale at a low, low price)

It's truly a lie, I'm counterfeit myself,
It's truly a lie, I'm counterfeit myself,
You don't own, you don't own, you don't own me,
You don't own what none can buy,
You don't own
Neither do I

domingo, 30 de maio de 2010

Por muito tempo achei que a ausência é falta

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Olhos de vidro

"A caminho de casa, um sentimento triste invade a minha alma!
A caminho de casa sou mais um mero sonhador...mais um mero sonhador!"

in A Arte De Viver, Dealema

domingo, 16 de maio de 2010

Adopte um idoso!?

Segundo noticiado as misericordias vão atribuir a quem adoptar um idoso, uma mensalidade de mais de 600 euros mensais.
A ideia parece ser a de parar o continuo abandono de idosos em isntituições onde são muitas vezes "despejados" e cuidados com indiferença.
Quero lançar uma pequena polémica...e familiares que tenham homossexuais na sua constituição?Também podem adoptar?ou existe o perigo do idoso em questão terminar os seus dias com uma nova orintaçao sexual,fruto duma convivência com alguém, cujas opções sexuais se diferenciam do socialmente aceitável e "correcto"?
E se, por exemplo, o idoso não conseguir ganhar a confiança do cãozinho de longa data, que por estar há tantos anos na família, já é considerado membro indispensável nas reuniões dos mesmos?Pode ser devolvido como no caso daquela criança adoptada,não me lembra onde,mas que fez escorrer tinta de jornais pela estupidez óbvia?
Vou aguardar e estar atento as próximas notícias a ver se surge alguma polémica relativamente a esta ideia

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Oh Death


Não consigo explicar, mas adoro esta musica!A simplicidade sonora desta música, consegue transportar-me para um ambiente de pensamento lúgubre,escuro e de velório, ajudando ainda mais a perceber o quão fina é a linha da vida, sendo ela tão importante, e, ao mesmo tempo percebendo que as vezes a satisfaçao material é o menos importante da nossa existência.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Aos meus amigos e a ti, Susana

   Não tenho por hábito celebrar o meu aniversário. Pelo menos não no sentido geral e comum dos meus restantes amigos, com jantar, copos, saída para a noite e mais copos!
   Não que eu ache errado!eu até vou aos deles, só não celebro o meu! Junto uns poucos e vamos beber um copo, ou quatro e já chega!
   Hoje que é o meu dia eu paro para pensar em voçês pois são voçês que fazem de mim quem eu sou!
E por isso são os meus heróis, os meus ídolos, a minha âncora, a minha inspiração que infelizmente não está à altura dos momentos bons que me proporcionam e partilham comigo.
   Deixo especial atençao a ti Susana, Susanita para todos os Gaiatos, os "teus meninos" apesar de sermos prácticamente da mesma idade!
    Quero agradecer as tuas palavras amigas, os teus incentivos, a partilha de sentimentos, as infelizmente poucas noites de festa em virtude da distancia, a tua integridade, a tua fé, apesar de ser uma coisa que nao partilhamos mas que eu admiro e muito em ti!
    já to disse a nível pessoal, mas repito-o aqui: as maiores felicidades para o novo desafio que se avizinha, que ele te torne ainda mais fantástica e que te proporcione a oportunidade de voltares a partilhar connosco
novas historias e vivências da tua futura missão em Moçambique!
    Obrigado por me dares o privilégio de poder dizer que sou teu amigo, e uma vez mais...Felicidades!

Breve memória de um ou outro acontecimento...

    Na minha vida mais um ano passou. Mais um aniversário, mais uma etapa na minha vida que se avizinha,mais desafios...
    Avaliando, fazendo um balanço, sei lá..olhando apenas para trás, para estes anos que não são muitos,mas já são alguma coisa, deparo-me que nao fiz grandes conquistas pessoais, nunca traçei metas, simplesmente não me preocupei...com nada!
    Constato que tenho andado "ao sabor da maré", sem saber bem o que quero, e pior, sem sequer lutar por alguma coisa..que me preencha e me faça "alguém"!
     Lembro agora as palavras dum antigo professor meu, de há muitos anos que me dizia: "podes ser o que quiseres, mas tens de ser mais humilde, menos egocentrico". Tinha 13 anos e já um Rei na barriga, excelentes notas, apesar de nao estar no ano em que deveria estar, o 8º, por muitos anos a faltar as aulas apenas por me apeteçer...no meu 5º ano fazia testes de 8º a inglês, historia,português,matemática...
     Depois veio a revolta, os pensamentos destrutivos e as fracas amizades e tb o pouco apoio em casa turvaram-me os sentidos e começei-me a deixar levar pelo comum pensamento do "que se lixe, eu nem preciso de estudar para tirar boas notas".
      Todas as coisas que me aconteceram num ano, marcaram-me os ultimos 10, tiraram-me muita coisa, por culpa minha, mas deram-me também muitas outras.
       Isto não são novamente os pensamentos destrutivos, nem a vontade de fugir de tudo a falar...
Ao ler nietzche só posso concordar com ele quando diz que não existe o certo nem o errado, apenas as consequencias dos nossos actos...e como eu sei disso!
       Resta-me continuar a tentar levar tudo de forma leve e descontraída, desejando dias melhores...e
se não vierem paciência, eu farei por isso!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nova Dieta?

Ora esta semana enquanto me dirigia para o trabalho, ia ouvindo a radio quando, de súbito uma noticia capta a minha atenção!
     Uma rádio anunciava que, segundo um estudo, o vinho ajuda ao emagrecimento nas mulheres!
Já estou a ver as senhoras a trocarem a habitual taçinha de cereais integrais e barrinhas integrais e outros afins com meia dúzia de calorias suficintes para suprir as necessidades energéticas dum hamster durante cinco minutos (tendo em conta a sua actividade física na roda), por umas sopinhas de cavalo cansado!
    

segunda-feira, 22 de março de 2010

Em Abril, Águas Mil

Ultimamente, tenho-me sentido algo revolucionário! E quando digo revolucionário digo-o com as regalias todas: empunhar as bandeiras e os cartazes com as epígrafes de combate à repressão Estatal, ao chamado Estado de Direito, parar o trânsito com manifs abismais em que existe sempre a contradição de números entre governo e sindicatos…como é óbvio não estou a falar do 25 de Abril! Quer dizer, estou, mas com alguma tristeza, pois o que se passou então, ainda nos nossos dias se passa.

Falo de números, adesão, componente humana, solidariedade social, dever cívico de chamar à atenção os senhores que seguram o leme do nosso país, que são precisas medidas que se estendam a todos e não somente a alguns, o principal fundamento dum partido de cariz socialista é a igualdade entre pares, mas analisando os últimos anos e as inúmeras medidas de combate às crises, sim, crises! O que se constata é que as medidas socialistas tem cavado um autêntico fosso entre as classes sociais do nosso país, aumentando ridiculamente as diferenças salariais e poder de compra entre as classes pequena, média e alta, aliás parece-me que a persistir em rumos semelhantes, não tarda muito desaparece a classe média e para regozijo do PCP e do Bloco De Esquerda passamos de novo a ter apenas proletariado e capitalistas e três vivas as ideias marxistas!

Tal como naquela altura, hoje são também poucas as vozes que se levantam, é necessário relembrar Abril, é necessário dar a conhecer Abril a quem não o viveu e é necessário respeitar aqueles que por uma causa maior arriscaram as suas vidas para que hoje possamos dizer que vivemos em liberdade de expressão…tomemos a palavra, vamos à rua, desta vez não uns milhares por um país, mas todos pelo seu próximo.

OS VAMPIROS - ZECA AFONSO

No céu cinzento sob o astro mudo

Batendo as asas pela noite calada

Vêm em bandos com pés veludo

Chupar o sangue fresco da manada





Se alguém se engana com seu ar sisudo

E lhes franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo eles comem tudo

Eles comem tudo e não deixam nada [Bis]

















A toda a parte Chegam os vampiros

Poisam nos prédios poisam nas calçadas

Trazem no ventre despojos antigos

Mas nada os prende às vidas acabadas









São os mordomos do universo todo

Senhores à força mandadores sem lei

Enchem as tulhas bebem vinho novo

Dançam a ronda no pinhal do rei









Eles comem tudo eles comem tudo

Eles comem tudo e não deixam nada







No chão do medo tombam os vencidos

Ouvem-se os gritos na noite abafada

Jazem nos fossos vítimas dum credo

E não se esgota o sangue da manada







Se alguém se engana com seu ar sisudo

E lhe franqueia as portas à chegada

Eles comem tudo eles comem tudo

Eles comem tudo e não deixam nada







Eles comem tudo eles comem tudo

Eles comem tudo e não deixam nada

sábado, 13 de março de 2010

As Portas que Abril Abriu!

Era uma vez um país

onde entre o mar e a guerra

vivia o mais infeliz

dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

um povo se debruçava

como um vime de tristeza

sobre um rio onde mirava

a sua própria pobreza.



Era uma vez um país

onde o pão era contado

onde quem tinha a raiz

tinha o fruto arrecadado

onde quem tinha o dinheiro

tinha o operário algemado

onde suava o ceifeiro

que dormia com o gado

onde tossia o mineiro

em Aljustrel ajustado

onde morria primeiro

quem nascia desgraçado.



Era uma vez um país

de tal maneira explorado

pelos consórcios fabris

pelo mando acumulado

pelas ideias nazis

pelo dinheiro estragado

pelo dobrar da cerviz

pelo trabalho amarrado

que até hoje já se diz

que nos tempos do passado

se chamava esse país

Portugal suicidado.



Ali nas vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

vivia um povo tão pobre

que partia para a guerra

para encher quem estava podre

de comer a sua terra.



Um povo que era levado

para Angola nos porões

um povo que era tratado

como a arma dos patrões

um povo que era obrigado

a matar por suas mãos

sem saber que um bom soldado

nunca fere os seus irmãos.



Ora passou-se porém

que dentro de um povo escravo

alguém que lhe queria bem

um dia plantou um cravo.



Era a semente da esperança

feita de força e vontade

era ainda uma criança

mas já era a liberdade.



Era já uma promessa

era a força da razão

do coração à cabeça

da cabeça ao coração.

Quem o fez era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.



Esses que tinham lutado

a defender um irmão

esses que tinham passado

o horror da solidão

esses que tinham jurado

sobre uma côdea de pão

ver o povo libertado

do terror da opressão.



Não tinham armas é certo

mas tinham toda a razão

quando um homem morre perto

tem de haver distanciação



uma pistola guardada

nas dobras da sua opção

uma bala disparada

contra a sua própria mão

e uma força perseguida

que na escolha do mais forte

faz com que a força da vida

seja maior do que a morte.



Quem o fez era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.



Posta a semente do cravo

começou a floração

do capitão ao soldado

do soldado ao capitão.



Foi então que o povo armado

percebeu qual a razão

porque o povo despojado

lhe punha as armas na mão.



Pois também ele humilhado

em sua própria grandeza

era soldado forçado

contra a pátria portuguesa.



Era preso e exilado

e no seu próprio país

muitas vezes estrangulado

pelos generais senis.



Capitão que não comanda

não pode ficar calado

é o povo que lhe manda

ser capitão revoltado

é o povo que lhe diz

que não ceda e não hesite

– pode nascer um país

do ventre duma chaimite.



Porque a força bem empregue

contra a posição contrária

nunca oprime nem persegue

– é força revolucionária!



Foi então que Abril abriu

as portas da claridade

e a nossa gente invadiu

a sua própria cidade.



Disse a primeira palavra

na madrugada serena

um poeta que cantava

o povo é quem mais ordena.



E então por vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

desceram homens sem medo

marujos soldados «páras»

que não queriam o degredo

dum povo que se separa.

E chegaram à cidade

onde os monstros se acoitavam

era a hora da verdade

para as hienas que mandavam

a hora da claridade

para os sóis que despontavam

e a hora da vontade

para os homens que lutavam.



Em idas vindas esperas

encontros esquinas e praças

não se pouparam as feras

arrancaram-se as mordaças

e o povo saiu à rua

com sete pedras na mão

e uma pedra de lua

no lugar do coração.



Dizia soldado amigo

meu camarada e irmão

este povo está contigo

nascemos do mesmo chão

trazemos a mesma chama

temos a mesma ração

dormimos na mesma cama

comendo do mesmo pão.

Camarada e meu amigo

soldadinho ou capitão

este povo está contigo

a malta dá-te razão.



Foi esta força sem tiros

de antes quebrar que torcer

esta ausência de suspiros

esta fúria de viver

este mar de vozes livres

sempre a crescer a crescer

que das espingardas fez livros

para aprendermos a ler

que dos canhões fez enxadas

para lavrarmos a terra

e das balas disparadas

apenas o fim da guerra.



Foi esta força viril

de antes quebrar que torcer

que em vinte e cinco de Abril

fez Portugal renascer.



E em Lisboa capital

dos novos mestres de Aviz

o povo de Portugal

deu o poder a quem quis.



Mesmo que tenha passado

às vezes por mãos estranhas

o poder que ali foi dado

saiu das nossas entranhas.

Saiu das vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

onde um povo se curvava

como um vime de tristeza

sobre um rio onde mirava

a sua própria pobreza.



E se esse poder um dia

o quiser roubar alguém

não fica na burguesia

volta à barriga da mãe.

Volta à barriga da terra

que em boa hora o pariu

agora ninguém mais cerra

as portas que Abril abriu.



Essas portas que em Caxias

se escancararam de vez

essas janelas vazias

que se encheram outra vez

e essas celas tão frias

tão cheias de sordidez

que espreitavam como espias

todo o povo português.

Agora que já floriu

a esperança na nossa terra

as portas que Abril abriu

nunca mais ninguém as cerra.



Contra tudo o que era velho

levantado como um punho

em Maio surgiu vermelho

o cravo do mês de Junho.



Quando o povo desfilou

nas ruas em procissão

de novo se processou

a própria revolução.



Mas eram olhos as balas

abraços punhais e lanças

enamoradas as alas

dos soldados e crianças.



E o grito que foi ouvido

tantas vezes repetido

dizia que o povo unido

jamais seria vencido.



Contra tudo o que era velho

levantado como um punho

em Maio surgiu vermelho

o cravo do mês de Junho.



E então operários mineiros

pescadores e ganhões

marçanos e carpinteiros

empregados dos balcões

mulheres a dias pedreiros

reformados sem pensões

dactilógrafos carteiros

e outras muitas profissões

souberam que o seu dinheiro

era presa dos patrões.



A seu lado também estavam

jornalistas que escreviam

actores que se desdobravam

cientistas que aprendiam

poetas que estrebuchavam

cantores que não se vendiam

mas enquanto estes lutavam

é certo que não sentiam

a fome com que apertavam

os cintos dos que os ouviam.



Porém cantar é ternura

escrever constrói liberdade

e não há coisa mais pura

do que dizer a verdade.



E uns e outros irmanados

na mesma luta de ideais

ambos sectores explorados

ficaram partes iguais.



Entanto não descansavam

entre pragas e perjúrios

agulhas que se espetavam

silêncios boatos murmúrios

risinhos que se calavam

palácios contra tugúrios

fortunas que levantavam

promessas de maus augúrios

os que em vida se enterravam

por serem falsos e espúrios

maiorais da minoria

que diziam silenciosa

e que em silêncio fazia

a coisa mais horrorosa:

minar como um sinapismo

e com ordenados régios

o alvor do socialismo

e o fim dos privilégios.



Foi então se bem vos lembro

que sucedeu a vindima

quando pisámos Setembro

a verdade veio acima.



E foi um mosto tão forte

que sabia tanto a Abril

que nem o medo da morte

nos fez voltar ao redil.



Ali ficámos de pé

juntos soldados e povo

para mostrarmos como é

que se faz um país novo.



Ali dissemos não passa!

E a reacção não passou.

Quem já viveu a desgraça

odeia a quem desgraçou.



Foi a força do Outono

mais forte que a Primavera

que trouxe os homens sem dono

de que o povo estava à espera.



Foi a força dos mineiros

pescadores e ganhões

operários e carpinteiros

empregados dos balcões

mulheres a dias pedreiros

reformados sem pensões

dactilógrafos carteiros

e outras muitas profissões

que deu o poder cimeiro

a quem não queria patrões.



Desde esse dia em que todos

nós repartimos o pão

é que acabaram os bodos

— cumpriu-se a revolução.



Porém em quintas vivendas

palácios e palacetes

os generais com prebendas

caciques e cacetetes

os que montavam cavalos

para caçarem veados

os que davam dois estalos

na cara dos empregados

os que tinham bons amigos

no consórcio dos sabões

e coçavam os umbigos

como quem coça os galões

os generais subalternos

que aceitavam os patrões

os generais inimigos

os generais garanhões

teciam teias de aranha

e eram mais camaleões

que a lombriga que se amanha

com os próprios cagalhões.

Com generais desta apanha

já não há revoluções.



Por isso o onze de Março

foi um baile de Tartufos

uma alternância de terços

entre ricaços e bufos.



E tivemos de pagar

com o sangue de um soldado

o preço de já não estar

Portugal suicidado.



Fugiram como cobardes

e para terras de Espanha

os que faziam alardes

dos combates em campanha.



E aqui ficaram de pé

capitães de pedra e cal

os homens que na Guiné

aprenderam Portugal.



Os tais homens que sentiram

que um animal racional

opõe àqueles que o firam

consciência nacional.



Os tais homens que souberam

fazer a revolução

porque na guerra entenderam

o que era a libertação.



Os que viram claramente

e com os cinco sentidos

morrer tanta tanta gente

que todos ficaram vivos.



Os tais homens feitos de aço

temperado com a tristeza

que envolveram num abraço

toda a história portuguesa.



Essa história tão bonita

e depois tão maltratada

por quem herdou a desdita

da história colonizada.



Dai ao povo o que é do povo

pois o mar não tem patrões.

– Não havia estado novo

nos poemas de Camões!



Havia sim a lonjura

e uma vela desfraldada

para levar a ternura

à distância imaginada.



Foi este lado da história

que os capitães descobriram

que ficará na memória

das naus que de Abril partiram



das naves que transportaram

o nosso abraço profundo

aos povos que agora deram

novos países ao mundo.



Por saberem como é

ficaram de pedra e cal

capitães que na Guiné

descobriram Portugal.



E em sua pátria fizeram

o que deviam fazer:

ao seu povo devolveram

o que o povo tinha a haver:

Bancos seguros petróleos

que ficarão a render

ao invés dos monopólios

para o trabalho crescer.

Guindastes portos navios

e outras coisas para erguer

antenas centrais e fios

dum país que vai nascer.



Mesmo que seja com frio

é preciso é aquecer

pensar que somos um rio

que vai dar onde quiser



pensar que somos um mar

que nunca mais tem fronteiras

e havemos de navegar

de muitíssimas maneiras.



No Minho com pés de linho

no Alentejo com pão

no Ribatejo com vinho

na Beira com requeijão

e trocando agora as voltas

ao vira da produção

no Alentejo bolotas

no Algarve maçapão

vindimas no Alto Douro

tomates em Azeitão

azeite da cor do ouro

que é verde ao pé do Fundão

e fica amarelo puro

nos campos do Baleizão.

Quando a terra for do povo

o povo deita-lhe a mão!



É isto a reforma agrária

em sua própria expressão:

a maneira mais primária

de que nós temos um quinhão

da semente proletária

da nossa revolução.



Quem a fez era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.



De tudo o que Abril abriu

ainda pouco se disse

um menino que sorriu

uma porta que se abrisse

um fruto que se expandiu

um pão que se repartisse

um capitão que seguiu

o que a história lhe predisse

e entre vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

um povo que levantava

sobre um rio de pobreza

a bandeira em que ondulava

a sua própria grandeza!

De tudo o que Abril abriu

ainda pouco se disse

e só nos faltava agora

que este Abril não se cumprisse.

Só nos faltava que os cães

viessem ferrar o dente

na carne dos capitães

que se arriscaram na frente.



Na frente de todos nós

povo soberano e total

que ao mesmo tempo é a voz

e o braço de Portugal.



Ouvi banqueiros fascistas

agiotas do lazer

latifundiários machistas

balofos verbos de encher

e outras coisas em istas

que não cabe dizer aqui

que aos capitães progressistas

o povo deu o poder!

E se esse poder um dia

o quiser roubar alguém

não fica na burguesia

volta à barriga da mãe!

Volta à barriga da terra

que em boa hora o pariu

agora ninguém mais cerra

as portas que Abril abriu!



                                        Ary Dos Santos

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...



A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe



Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...



Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?



Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...



Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.



Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...



Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...



Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.



Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!

Aperta mais dois buraquinhos no cinto!

P.E.C.


Ligo a tv, ponho nas noticias e uma vez mais deparo-me com mensagens de apelo ao aperto do cinto…

Não digo que as medidas tomadas pelo governo não sejam importantes, mas pergunto-me se a congelação dos salários reais na função pública não serão um mau augúrio para o tão prometido aumento para 500€ no sector privado…o qual passou por um sem fim de negociações, felizmente ineficazes, para que não se chegasse ao valor estipulado de 475€ para este ano.

Adiante! É preciso estar um pouco atento as estas medidas pois, apontasse o facto com muita insistência de que quem vai pagar a “despesa” é a classe média, mas também existem muitos pensionistas que irão pagar mais!

Falei na classe média, mas da alta…não se fala! Os grandes donos de fortunas no mínimo abismais, aqueles que não declaram na totalidade os seus rendimentos são deixados de parte enquanto o Zé vai pagando a factura, como já é da praxe.

Deixo alguns conselhos que sei, serem dados por muita gente, mas completamente ignorados pelos visados: redução de salários, carros mais baratos e de preferência a serem mantidos durante toda a posse do cargo, ao contrário do habitual que é comprar um todos os anos à custa de dinheiros públicos, sendo que também seria bom reduzir em despesas de viagens, ajudas de custo, subsídios de deslocação, dias de férias…jantares!

Vou parar de bater na classe política, outra ideia seria taxar ainda mais os gestores, e os 45% de taxa deviam ser aplicados a partir dos 70000€, responsabilizando ainda os gestores por eventuais erros danosos para a economia como por exemplo as derrapagens orçamentais em obras públicas e privadas que no fim são todas pagas pelos contribuintes, sendo que se esses valores fossem deduzidos nos salários e bónus desses senhores de certeza que as contas não seriam tão discrepantes em relação aos valores inicialmente orçamentados.

Uma boa medida é a tributação das mais-valias da bolsa, ou seja, os contribuintes que detenham acções há mais de um ano passam a estar sujeitos a uma taxa de 20%.

Quanto às privatizações, apesar do previsto encaixe de 6 mil milhões, parece-me, penso eu, que a longo prazo talvez se revele uma má medida, uma vez que são estas mesmas empresas (Galp, EDP, Ren, entre outras) que dão neste momento receita ao Estado.

terça-feira, 9 de março de 2010

Retratos da Cidade Branca

Onde estão os meus amigos?


Remotas memórias

Saltitam

Pululam

Cheiros / odores / miragens

O café

O sorriso

Olá como está!

E outras encenações

A novidade

A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal



Ai..a imperial da Munique

Os destemidos tremoços

Moços, maçons

Canalha / navalha

Pensa coração

Amigos onde estais?



A sueca com minis à mistura

O relato da bola

A malha / copo de 3

A feira do relógio

O relógio da feira

Sandes de couratos / vinhos de Torres

Jogging de Marvila



Domingo

Especialmente domingo

Barbeados / dentes lavados

E martinis no plástico labrego

Alumínio / moderno / kitch / mau gosto

12 cordas / mãozinhas

Salteadores da razão perdida

Perdidos / enjaulados

Correio da manhã

O cú da vizinha do 9ºB

Regalo para a vista

Suplemento a cores com salários em atraso



E a Lisnave / petroquímica

Cancros do meu Tejo

Apodrecendo lentamente o azul das águas

E eu impotente / cinemascope / 35 milímetros de mim

A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres

Que não são putas nem são falsas nem são nada

São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente



Paga-se a saudade com cartão de crédito



Táxi

Leva-me para onde está o meu amor

Táxi

Leva-me para lá de mim

Táxi

Atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios
 
 
                                                       Sam The Kid, Album "Pratica(mente)

domingo, 7 de março de 2010

Sacanas sem lei

Penso que seja um bom rótulo para o nosso país, face aos actuais e inúmeros casos mediáticos em que, infelizmente, vemos a nossa classe política envolvida.

Tudo começa com o caso da universidade independente, e a

Eventual não licenciatura do sr. Engenheiro.

De seguida temos o freeport, os alegados favorecimentos,as possíveis pressões a classe da magistratura, rolam algumas cabeças no ministério publico, mas a classe politica segue incólume, como se nada passa-se.

Passemos então ao próximo e mais actual de todos os casos:

A alegada tentativa de compra da tvi com o intuito de controlar a comunicação social e assim silenciar algumas vozes incomodas.

Muita tinta escorreu sobre a violação do Estado de Direito,

Muito se falou, mas como vem sendo hábito nada se fez…

A única coisa que se faz é um sucessivo passar da borracha sobre um caso sempre que surge um novo, mantendo assim o povo entretido.

Parece-me a mim que desde há muito tempo, não se vive num Estado de Direito, mas sim num Estado de Sítio, um em que em vez de se privar o domínio publico de algumas liberdades para sua própria defesa, se priva esse mesmo publico das suas liberdades e direitos para interesse não do Estado mas daqueles que supostamente deveriam representar os interesses dos eleitores.

Quanto a oposição, cujo interesse deveria ser a resolução de todos os problemas que assolam o nosso país, passaram exclusivamente a perseguir o governo duma forma tão voraz que os vejo, partido por partido, quase transfigurados em claques desportivas a pedir: “Só mais um!” ” Só mais um!”. Só mais um caso… e todos continuam impunes, é preciso uma resolução, atribuir as culpas e punir exemplarmente que tem culpa no cartório.

Princípio

Pensei muito sobre o facto de começar um blog… afinal, o que tenho eu a acrescentar de novo a um universo tão extenso e repleto de boas ideias e excelentes opiniões sobre as mais diversas áreas do pensamento,talvez comédia e da actualidade? A resposta? Talvez absolutamente nada, vou encarar este “projecto” como um sítio onde deixar opiniões ou pensamentos pessoais, que poderão, ou não, ser de algum interesse para quem quer que leia, nem que sejas só tu que tanto me incentivas-te, a mim, que continuo sem perceber o porquê… mas se tu o dizes…